ACERVO DE LOBO DE MESQUITA É PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE

UNESCO declara acervo do Museu da Música de Mariana "Patrimônio da Humanidade"
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No dia 2 de dezembro de 2011, o Museu da Música de Mariana recebeu da UNESCO o Diploma de Patrimônio da Humanidade, em reconhecimento à importância de seu acervo de manuscritos musicais, entre eles o do Maestro serrano, José Joaquim Lobo de Mesquita.
Entrada do acervo especial de Lobo de Mesquita

O Museu da Música é um dos mais importantes acervos de música sacra manuscrita, com mais de 2 mil partituras. Por meio de projetos desenvolvidos, muitas obras foram salvas pelo trabalho de restauração, já que estavam em estado precário de conservação. Foi recuperada a estrutura original das partituras tal como concebidas por seus autores. Compositores respeitados como LOBO DE MESQUITA, José Maurício Nunes Garcia e João de Deus de Castro Lobo tiveram novas peças reveladas.

Lobo de Mesquita nasceu no Serro, entre 1740-50 

Outros, como Miguel Teodoro Ferreira, Frutuoso de Matos Couto e Manuel Dias de Oliveira começaram a ter sua memória resgatada, com a identificação de criações importantes, anteriormente desconhecidas.
Para o Arcebispo de Mariana, Dom Geraldo Lyrio, “este Diploma concedido pela UNESCO ao Museu da Música de Mariana é o coroamento de muitos anos de trabalho de pessoas que se dedicaram a preservar esta preciosidade de valor incalculável, fruto daqueles que, nos séculos 18 e 19, produziram o que de melhor na música o Brasil conheceu. Por isso, não podemos esquecer personalidades como Dom Oscar de Oliveira, o engenheiro Francisco Noronha e Dom Luciano Mendes. A Arquidiocese de Mariana se sente feliz com esta honrosa premiação e parabeniza sua Fundação Cultural ( FUNDARQ)responsável pelo Museu da Música e que realizou o importante projeto de restauração e preservação dessas milhares de partituras”.
Partitura original, assinada por Lobo de Mesquita (1783)

O Instituto Memória do Mundo, da UNESCO, é a memória coletiva e documentada dos povos – seu patrimônio documental - que, por sua vez, representa boa parte do patrimônio cultural mundial. Ela traça a evolução do pensamento, dos descobrimentos e das conquistas da sociedade humana. É o legado do passado para a comunidade mundial presente e futura. A "Memória do Mundo" se encontra em grande medida em bibliotecas, arquivos e museus existentes em todo o planeta e uma grande porcentagem dela corre perigo atualmente.
Banner registra a passagem do Maestro por Diamantina e Ouro Preto

O patrimônio documental de numerosos povos tem se dispersado devido ao deslocamento acidental ou deliberado de fundos arquivísticos e coleções, aos “estragos das guerras” ou a outras circunstâncias históricas. Às vezes, obstáculos práticos ou políticos dificultam o acesso a ele, enquanto, em outros casos, deterioração ou destruição são a ameaça. “A concepção do Programa Memória do Mundo da UNESCO - MOW [Memory of the World Program] é que o patrimônio documental mundial pertence a todos, deveria ser plenamente preservado e protegido para todos e, com o devido respeito aos hábitos e práticas culturais, deveria ser acessível a todos de maneira permanente e sem obstáculos”, afirma o consultor da UNESCO, Ray Edmondson. 
O serrano Edmo Cunha em visita ao Museu, ao lado dos coordenadores

Segundo o diretor executivo da FUNDARQ, prof. Roque Camêllo, “o reconhecimento do Museu da Música pela UNESCO como um dos mais importantes acervos latinoamericanos de música sacra, coloca o Brasil no patamar mais elevado entre as nações civilizadas, quando o tema é a cultura musical e evidencia a efervescência intelectual dos séculos 18 e 19 em Minas Gerais e particularmente na Região de Mariana. Cuidar do patrimônio cultural não é tarefa fácil, além de dispendiosa. No entanto, é dever patriótico fazê-lo porque esta ação preserva a memória e a identidade de nosso povo. Este título não pertencerá apenas a Mariana e a Minas, mas ao Brasil”, concluiu Camêllo.
Colaboração de Merania Oliveira
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