A IMPRENSA NO SERRO

Jornal "Sentinella do Serro"
No Brasil colônia, era proibida a publicação de jornais. A partir da chegada da família real, afrouxaram-se um pouco as correias. Depois da independência, as comportas se abriram e viu-se uma enxurrada de publicações invadir o país, fazendo do Serro a quarta vila de Minas a editar um jornal. 

Os primeiros jornais do Serro

Em 1828 apareceram os dois primeiros jornais do Serro: no Arraial do Itambé, o "Liberal do Serro", fundado por Geraldo Pacheco de Melo, também chamado de "Gutemberg serrano", do qual também se sabe que era ourives e casado com uma índia de nome Raimunda; no Arraial do Tijuco, o "Eco do Serro", fundado por Manoel Sabino de Sampaio Lopes, que chegou a receber a colaboração de Teófilo Otoni, então residindo no Rio de Janeiro. Ambos construíram em madeira as suas gráficas, fundiram eles próprios os tipos utilizados, fizeram dos jornais veículos de propaganda Liberal e lutaram pelo fim da Monarquia. 

O "Sentinela do Serro"

É em 04/set/1830 que se ouve o grito maior lançado pela imprensa mineira, no século XIX. Surge na Vila do Príncipe o vibrante e revolucionário "Sentinela do Serro", que marcou a história da imprensa nacional. Nenhum outro jornal mineiro alcançou a sua notoriedade e importância política. 

Dirigido e redigido por Teófilo Otoni, ele denuncia os desmandos do Imperador D.Pedro I, advoga a República e o voto universal. Em 1831, D.Pedro I abdica, coroando de êxito a campanha do jornal. Mas como a República não é proclamada, Otoni continua a sua luta. O "Sentinela do Serro" lança um surpreendente projeto de reformas constitucionais e coordena uma campanha nacional, pelo início da republicanização da constituição, outorgada em 1823, cheia de autoritarismos, pelo Imperador deposto. A ousadia da proposta, vinda de uma Vila do interior, causa grande abalo no país. O "Sentinela do Serro" é processado pelo governo das Regências e obrigado a interromper suas publicações, em 1832, acusado de "pôr em risco a ordem monarquista". Teófilo recua, se afasta temporariamente da cena política e volta a se dedicar ao comércio, que abrira na Vila do Príncipe com o irmão Honório. Mas os fatos dão razão aos chamados "constituintes do Serro" e, logo em seguida, a maioria dos "exaltados" e "moderados"  do país assumem as teses otonianas e tentam implantá-las, numa disputa contra o modelo proposto pelos "conservadores". 

Em 1834, após várias lutas políticas e reações armadas dos "conservadores", vencem os Liberais e é reformada a Constituição Brasileira, através do Ato Adicional de 12 de agosto. Dá-se o fortalecimento do princípio federativo, a criação das Assembléias Legislativas, a supressão do Conselho de Estado, o estabelecimento da  Regência Una, eleita por voto popular, embora com a diminuição da autonomia dos municípios e a manutenção da vitaliciedade do Senado. Uma boa parte das propostas pregadas no "Sentinela do Serro", porém, são finalmente aprovadas. O interior de Minas "acaba por ditar leis ao Império".

Os jornais serranos

Adiante, uma lista de jornais editados no Serro, iniciada com os três citados, que marcaram a estreia do norte de Minas no jornalismo:

1828 Eco do Serro
1828 Liberal do Serro
1830 Sentinela do Serro
1832 O Tribuno do Serro
1833 Noticiador Serrano
1842 Boletim da Legalidade
1890 O Serro
1890 O Tentamem
1891 O Mensageiro
1893 A Sentinela
1894 A Cidade do Serro
1894 Correio do Serro
1894 O Corisco
1898 Correio do Serro
1912 A Voz do Serro
1917 O Ibiti-Rui
1918 Voz do Serro
1919 Reação
1920 O Argonauta
1922 O Serro
1927 Sentinela do Serro
1930 A Serrana
1950 Tesouro Infantil
1960 A Voz do Colégio
1962 Tribuna Serrana
1981 O Papagaio / O Grito
1982 Grupiara
1982 O Vigilante
1987 A Sentinela
1997 Serro Hoje
2010 Ekos de Minas